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Duelo – livro X filme: O Lado Bom da Vida

27 jul

Como todo duelo precisa de um vencedor, aqui tentarei dizer qual “Lado Bom da Vida” é melhor, o livro ou o filme. Mas antes de iniciar a disputa é preciso entender que são dois produtos diferentes e que cada um cumpre seu papel na mídia/plataforma onde está inserida. E também é bom lembrar que filmes baseados em livros não têm a obrigação de ser idênticos à obra original. O que a produção cinematográfica precisa é captar a essência da história e transmiti-la de outras formas, usando os recursos do cinema. Antes de apontar o dedo é preciso respeitar o filme como ele é: uma adaptação. E o resultado do “duelo” do Salada de Bacon não busca a verdade absoluta, mas apenas tentar fazer uma imersão nas duas obras e ver qual delas agradou mais à autora que vos escreve. Porque decidir qual é melhor é uma tarefa pessoal. Não dá para impor nosso gosto ao mundo. Ok?!

Qual "O Lado Bom da Vida" é melhor? O filme ou o livro?

Qual “O Lado Bom da Vida” é melhor? O filme ou o livro?

O livro de Matthew Quick lançado em 2008 conta a história de Pat (vivido por Bradley Cooper no cinema), um homem de 30 e poucos anos que acaba de sair do sanatório (o lugar ruim, como diria Pat) e quer refazer sua vida voltando para a ex-mulher, Nikki. Pat ficou no lugar ruim por quatro anos, mas acha que passou só alguns meses por lá. O protagonista também não se lembra o que o levou para o lugar ruim e nem por que todos evitam trazer lembranças de seu passado à tona.

O reajuste de Pat à sociedade e ao convívio com a família é difícil, e as coisas só chegam perto de entrar no eixo quando o protagonista conhece Tiffany, que é tão disfuncional quanto ele. Tiffany é uma jovem viúva depressiva e que se transformou numa ninfomaníaca após a morte do marido. E  é no meio desses distúrbios psicológicos que os personagens se entendem.

Os problemas de ansiedade e depressão do autor do livro serviram de base para criar Pat, que sofre de transtorno bipolar. Em toda a obra é visível como Quick tem o domínio do assunto, e como trata de um tema tão delicado com tanta leveza.

O livro chamou a atenção do diretor David O. Russel, que trabalhava no roteiro há anos (antes mesmo de lançar o aclamado “O Vencedor”), por conta  de de seu filho, que é bipolar e sofre de transtorno obsessivo-compulsivo. Esse fator foi primordial para que o filme desse certo, afinal O. Russel conhece bem o que passou nas telonas.

Pat em uma de suas sessões de terapia

Pat em uma de suas sessões de terapia

A internação e a música

Essa é uma das primeiras diferenças notáveis entre filme e livro. Na obra original Pat não faz ideia do motivo de ter sido internado, descobrindo apenas no fim do livro. Já no cinema a razão para a internação é rapidamente mostrada ao espectador durante uma das sessões de terapia do protagonista, que tem total consciência de que quase matou o amante da esposa ao pegar os dois no flagra.

No cinema foi interessante saber logo de cara o que aconteceu, o que deixa a audiência ainda mais perplexa com a insistência louca de Pat em reatar com a esposa, apesar dela tê-lo traído. Já no livro o jogo de esconde também ficou legal, já que o leitor nunca entende o motivo do fim do casamento e muito menos porque a família de Pat parece odiar tanto Nikki. Isso deixa o leitor imerso na trama, dando a ele a mesma sensação de Pat, que está totalmente perdido.

Ouça a música que enlouquece Pat no filme:

Junto com o flagra da traição veio outro trauma: a fatídica música que enlouquece Pat. No filme a canção que embalou a pulada de cerca de Nikki é “My Cherie Amour” de Stevie Wonder, enquanto no livro é “Songbird” de Kenny G. Nos dois trabalhos a canção foi o tema do casamento de Pat e Nikki, o que serviu para enlouquecer ainda mais o protagonista ao descobrir a traição. Mas nesse quesito eu preferi o livro, já que não é muito difícil fritar o cérebro ao ouvir o chatíssimo Kenny G. Afinal, quem não se lembra do som daquele sax que embala as viagens de elevador ou as esperas nas chamadas telefônicas? As alucinações que Pat tem com o senhor G são memoráveis. O músico esfrega o saxofone na cara de Pat e sempre faz com que ele se lembre do casamento e da traição que sofreu ao som de sua clássica “Songbird”.

Tiffany

No livro Tiffany é mais velha que Pat e deve ter cerca de 38 anos, e isso quase impediu a participação de Jennifer Lawrence (22 anos) no longa.  Atrizes mais experientes como Anne Hathaway, Elizabeth Banks, Rooney Mara, Kirsten Dunst e Angelina Jolie foram cotadas para viver a protagonista, enquanto David O. Russel (diretor do filme) fez um teste com Lawrence apenas por consideração, já que nunca passou em sua mente contratar a jovem atriz. Mas o talento falou mais alto e J-Law desbancou todas as suas concorrentes, fez um grande trabalho e de quebra levou um Oscar pra casa.

Tiffany tem muito mais destaque no filme

Tiffany tem muito mais destaque no filme

O lado bom do filme é o maior espaço dedicado à Tiffany. No livro ela é importante para o equilíbrio de Pat, mas não é figura recorrente. As páginas se dedicam mais ao relacionamento do protagonista com os pais e com o futebol americano. A personagem feminina na tela ganhou mais espaço e mais importância, e contribuiu muito para o bom fluxo da trama.

Vale lembrar aquele cena incrível onde Tiffany destrói os argumentos do Pai de Pat (interpretado por ninguém mais ninguém menos que a lenda Robert de Niro) cuspindo os resultados dos últimos jogos da liga americana, cena que não está nos livros. Esse é um dos grande momentos de Tiffany no filme, e transforma o espírito da personagem do livro em ação no longa.

Família de Pat

No livro o sobrenome da família é Peoples, o pai de Pat é extremamente mal humorado e não conversa com o filho, o irmão de Pat aparece muito mais, inclusive com sua esposa, e a mãe vive numa corda bamba entre agradar o marido e o filho. No filme o sobrenome é o italianíssimo Solitano, o pai é bem mais maleável, o irmão aparece pouco e a mãe não tem tantos problemas.

A família de Pat troca de sobrenome no filme, mas permanece louca assim como no livro

A família de Pat troca de sobrenome no filme, mas permanece louca assim como no livro

Talvez resida no núcleo familiar o grande mérito do filme. A casa da família Solitano, assim como o cotidiano dos personagens que lá vivem, é muito bem retratada por O. Russel. Toda a dinâmica do livro, que às vezes é difícil de enxergar visualmente, foi muito bem traduzida para a tela. E isso se deve ao estilo do diretor, que rodou um filme inteiro praticamente com todos os diálogos improvisados.

O clima da família reunida, os diálogos rápidos, as piadas, os mau humores, a rapidez das conversas, as cenas de briga, os choros e risos foram muito bem captados pelo diretor. Há muitas diferenças entre livro e filme, mas o primordial do livro está na tela. O. Russel pegou a essência das páginas e colocou perfeitamente na telona com um filme dinâmico e, muitas vezes, louco.

A dança

O concurso de dança é o fio condutor da história no cinema, já que o diretor optou por transformar o livro em uma comédia romântica. O filme é bem mais leve que a obra literária, mas isso não tira seu valor. A trama é passada de um jeito mais ameno, mas sem deixar de tocar na ferida. O longa é colorido, claro, luminoso e engraçado, mas não deixa de ter o lado sombrio dos distúrbios psicológicos e nem o preconceito que as pessoas sofrem por conta deles. O. Russel optou por contar sua história usando a dança, que ocupa apenas algumas páginas do livro, talvez para restringir todas as tramas em um enredo só.

A dança é louca e divertida no livro e no filme

A dança é louca e divertida no livro e no filme

A decisão do diretor foi muito bem trabalhada e o filme não é uma história sobre dança, muito pelo contrário, a dança está lá só para conduzir a história e servir de analogia para o desenvolvimento dos personagens. É por meio da dança, do companheirismo, da responsabilidade de aprender a coreografia que Pat  encontra seu equilíbrio, volta a tomar seus remédios e enxerga que há muito mais na vida do que sua amada Nikki.

E o que falar da cena sensacional da apresentação da dança? Como foi bom ser surpreendida por aquele concurso. Seria muito clichê se o casal arrasasse na pista e vencesse a disputa. A visão de que Tiffany e Pat eram claramente os piores dançarinos antes mesmo do concurso já mostrou que David O. Russel não seguiria pelo caminho fácil. E a dança maluca que misturou valsa, rock, dança contemporânea, sapateado e Dirty Dancing com aquele constrangedor salto final valeu como ponto alto do filme por não ser clichê, mostrando que “O Lado Bom da Vida” é sim uma comédia romântica, mas não apenas um filme qualquer para o gênero, ele tem sua qualidade e sua marca, e vai muito além de contar apenas uma história de amor.

Apesar do casal ser o melhor no concurso de dança no livro, isso não torna a situação mais clichê ou menos ridícula. Afinal, na disputa das páginas, eles concorrem com adolescentes, o que torna constrangedor a participação de dois loucos com quase 40 anos de idade naquele concurso juvenil.

O Lado Bom da Vida dança

Faltou no filme

Quando li a cena da praia imediatamente me perguntei por que aquela passagem não foi para o filme. E que surpresa a minha ler uma entrevista do escritor dizendo que esta é uma das suas cenas favoritas e que ele até curtiu a ausência dela no filme, porque isso daria o privilégio a cada leitor de imaginá-la em sua mente, do jeito que sentiu quando leu.

Se ficou curioso, leia o livro, vale a pena.

Afinal, qual é melhor?

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O filme. Eu preferi o filme. Mas talvez isso tenha a ver com a sequência das coisas. Primeiro vi o longa e só depois comprei o livro. Acontece que o que eu já tinha achado bom, achei ainda melhor depois da leitura. O filme “O Lado Bom da Vida” ganha mais valor depois que se lê “O Lado Bom da Vida”. Não por ser melhor, mas por ter captado com maestria o essencial da obra original. E também por seu elenco incrível que conseguiu um feito que há 30 anos não acontecia, ser indicado em todas as quatro categorias de atuação: melhor atriz para Jennifer Lawrence (única que venceu), melhor ator para Bradley Cooper, melhor atriz coadjuvante para Jacki Weaver e melhor ator coadjuvante para Robert de Niro, que há 21 anos não era indicado ao prêmio maior do cinema.

Matthew Quick contou sua ótima história e David O. Russel captou o melhor dessa história e passou para o cinema de uma forma brilhante. O elenco talentosíssimo e afiado deu uma bela vida aos ótimos personagens de Quick, e a direção espetacular deixou a obra ainda mais gostosa de se ler, ver, ouvir, falar, comentar, recomendar…

Por Débora Anício

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Confira o novo trailer de “Jogos Vorazes – Em Chamas”

21 jul

No fim da tarde deste sábado (20) foi divulgado, na Comic Con em San Diego, o segundo trailer de “Jogos Vorazes – Em Chamas”. O novo vídeo promocional foi um dos destaque do painel da franquia na Comic Con, que contou com a presença de Jennifer Lawrence, Josh Hutcherson, Liam Hemworth e Lenny Kravitz.

O vídeo de pouco mais de dois minutos mostra o início da revolta dos distritos, a aproximação de Katniss e Gale, e ainda a volta dos tributos à arena. Confira o trailer:

http://movies.yahoo.com/video/hunger-games-catching-fire-trailer-021017530.html

Liberados novos pôsteres de Em Chamas

16 jul

A Lionsgate divulgou novos pôsteres do segundo filme da série Jogos Vorazes: Em Chamas.

 

As imagens mostram os tributos de cada distrito, confira:

 

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Novo trailer de “Jogos Vorazes – Em Chamas” será lançado na Comic-Con

1 jul
Novo trailer será divulgado no dia 20 de julho

Novo trailer será divulgado no dia 20 de julho

A Lionsgate, produtora da franquia Jogos Vorazes, anunciou que o próximo filme da saga terá um painel na Comic-Con 2013. Ainda não se sabe se a protagonista da história, Jennifer Lawrence, estará no evento realizado em San Diego. A única certeza que se tem é que o novo trailer de “Jogos Vorazes – Em Chamas”, segundo longa da franquia, será lançado durante o evento, no dia 20 de julho. A Comic-Con começa no dia 18 de julho e a Lionsgate foi a primeira produtora a anunciar oficialmente qual filme ganharia um painel no evento.

Essa é a estreia da franquia na Comic-Con, já que no lançamento do primeiro filme, em 2011, a produção não ganhou um painel em San Diego. Mas depois do sucesso estrondoso do primeiro filme, com uma bilheteria de mais de 691 milhões de dólares, era improvável que a divulgação dos novos filmes não fosse reforçada com uma passagem pelo evento.

“Jogos Vorazes – Em Chamas” estreia no dia 22 de novembro.

Julianne Moore pode integrar elenco de “Jogos Vorazes – A Esperança”

27 jun

Julianne Moore

“Jogos Vorazes – Em Chamas”, segundo filme da franquia “Jogos Vorazes”, só chega aos cinemas em 15 de novembro, mas Francis Lawrence já está trabalhando no próximo episódio da saga de Katniss Everdeen, interpretada por Jennifer Lawrence. O diretor está de olho na talentosa Julianne Moore para viver a personagem Alma Coin e tudo indica que a negociação será finalizada em breve.

Coin é uma figura importante no terceiro livro da trilogia escrita por Suzanne Collins e deve ter um papel de destaque nos dois últimos filmes: “Jogos Vorazes – A Esperança: Parte 1″ (21 de novembro de 2014) e” Jogos Vorazes – A Esperança: Parte 2″ (20 de novembro de 2015). O Salada não dará spoilers, então o máximo que podemos dizer é que a personagem Coin tem papel fundamental no terceiro livro, inclusive com ótimos embates com a protagonista. O que poderá gerar cenas ótimas entre Lawrence e Moore.

Enquanto sua participação na série “The Hunger Games” não é confirmada, Julianne Moore continua com a agenda bastante disputada. Após ganhar um prêmio do Emmy por sua atuação em “Virada no Jogo”, a atriz retorna aos cinemas ainda este ano com “Seventh Son”, “Don Jon” e “Carrie – A Estranha”.

Enquanto a participação da ótima Julianne Moore não é confirmada, e o segundo filme não chega aos cinemas, confira o trailer de “Jogos Vorazes – Em Chamas”, que estreia no dia 15 de novembro.

Fonte: Adoro Cinema

Filme rodado em 2007 por Jennifer Lawrence estreia em julho

25 jun

De acordo com informações do E!, o longa filmado em 2007 pela vencedora do Oscar Jennifer Lawrence estreia em 09 de julho nos cinemas americanos. O suspense demorou tanto a ser lançado por falta de um distribuidor, problema que só foi resolvido agora. A produção não tem data de estreia no Brasil e nem planos de ser distribuído em DVD ou Blu-Ray.

Pelo trailer, pouca divulgação e, claro, pela demora em ser lançado, o filme de baixo orçamento não desperta previamente muita atenção e é difícil dizer se chegará aos cinemas brasileiros e se irá trair o público norte-americano. Porém, a produção conta com uma das atrizes mais famosas hoje em dia, e isso deverá atrair muita atenção para o modesto filme.

P.S.:

*O filme não tem cara de ser muito bom

*Mas, levando em conta a carreira regular e repleta de filmes bons de Lawrence, é possível uma surpresa agradável

Confira o trailer

Jennifer Lawrence irá produzir seu novo filme

12 jun
Jennifer Lawrence irá protagonizar e produzir drama adolescente

Jennifer Lawrence irá protagonizar e produzir drama adolescente

A atriz Jennifer Lawrence, vencedora do Oscar pelo filme “O Lado Bom da Vida”, vai estrelar “The Rules of Inheritance”, adaptação do livro de memórias escrito por Claire Bidwell Smith, que está sendo adaptado para o cinema pela roteirista Abi Morgan (“A Dama de Ferro”). Além de protagonista, a jovem atriz também será a produtora do longa.

A trama acompanha Claire, que tinha apenas 14 anos quando seus pais foram diagnosticados com câncer. O livro segue Claire por sete anos, mostrando como ela lida com a perda dos pais de diferentes maneiras, enquanto tem uma vida típica de adolescente, envolvendo-se em muitos romances, aventuras e viagens em uma jornada inspirativa, emocional e surpreendente jornada bem-humorada que celebra a vida.

Segundo o site Deadline, o projeto vai voltar a reunir a atriz com a diretor dinamarquesa Susanne Bier, também vencedora do Oscar – Melhor Filme Estrangeiro com “Em um Mundo Melhor” (2010). As duas trabalharam juntas neste ano em “Serena”, filme que está em fase de pós-produção. Além de Lawrence, “Serena” contou com Bradley Cooper, ator que também protagonizou “O Lado Bom da Vida”.

Jennifer vai trabalhar ao lado do produtor Bruce Cohen, que produziu o premiado “O Lado Bom da Vida”. “Jennifer, Susanne, Abi e eu estamos incrivelmente animados em trabalhar juntos nesse projeto extraordinário. Todos nós acreditamos que o filme pode ter uma profunda e ressoante ligação com a audiência, assim como a fascinante autobiografia de Claire tem”, comentou Cohen.

“Serena” será o próximo projeto da atriz a estrear nos cinemas brasileiros. O lançamento está marcado para o dia 20 de setembro. Ela ainda volta este ano com o aguardado “Jogos Vorazes: Em Chamas”, com lançamento mundial agendado para 22 de novembro. Além destes filmes, ela está no thriller “The Devil You Know”,  história rodada em 2009 e que chega nos cinemas dos EUA no dia 9 de julho e não tem previsão de estreia no Brasil, em “American Hustle”, no qual volta a trabalhar com o diretor David O. Russell (“O Lado Bom da Vida”), e em “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido”, cujo lançamento acontece em 18 de julho de 2014.

Cinema: Resenha de Jogos Vorazes

6 jun
A ganhadora do Oscar Jennifer Lawrence dá vida à Katniss Everdeen no cinema

A ganhadora do Oscar Jennifer Lawrence dá vida à Katniss Everdeen no cinema

Lançado em março de 2012, “Jogos Vorazes” chegou para ocupar o vazio deixado pela saga “Crepúsculo” no mercado cinematográfico voltado para o público jovem adulto. Mas o filme baseado no livro homônimo de Suzanne Collins, lançado em 2008, está longe de ser uma história de amor entre humanos e vampiros. A obra mistura ficção científica, ação, romance e aventura. Tudo isso amarrado com muita crítica social. Dirigido por Gary Ross (roteirista de “Quero Ser Grande”), o filme conta com ótimo elenco: Jennifer Lawrence (vencedora do Oscar pelo “Lado Bom da Vida”), Josh Hutcherson (“Minhas Mães e Meu Pai”), Liam Hemsworth (“A Última Música”), Woody Harrelson (“Zumbilândia”), Elizabeth Banks (“O Virgem de 40 anos”), Stanley Tucci (“O Diabo Veste Prada”), entre outros nomes.

A trama de “The Hunger Games” se passa num futuro não definido em Panem (clara referência a expressão latina panem et circenses – pão e circo), nação formada após a destruição dos Estados Unidos. Panem é governada por um regime totalitarista que controla os 12 distritos formadores desta nação. Para reafirmar seu poder junto ao povo, o governo promove anualmente os Jogos Vorazes, reality show que coloca dois representantes (um garoto e uma garota entre 12 a 18 anos) de cada distrito para lutarem numa arena até a morte. Katniss Everdeen (Lawrence) e Peeta Mellarck (Hutcherson) são os escolhidos do Distrito 12, comunidade extremamente pobre e que se sustenta com a escavação de carvão. Peeta foi selecionado pelo cruel sorteio e Katniss se ofereceu para entrar na arena após ver o nome de sua irmã caçula ser escolhido para os Jogos.

Após o sorteio, o casal segue para a capital, onde se prepara para entrar na arena. E é aí que começa uma das grandes críticas da história. 24 crianças e adolescentes estão se preparando para um evento transmitido ao vivo para todo o país onde apenas uma deles irá sobreviver. Mas esse detalhe não parece afetar os moradores da capital. Os tributos (como são chamados os jogadores) são tratados como animais para uma simples exibição. Eles passam por tratamentos de beleza, treinamentos de luta e são entrevistados pelo apresentador dos Jogos (interpretado pelo ótimo Tucci), e em todos os momentos têm que aparecer lindos, saudáveis e felizes para a audiência. Tudo isso para atrair patrocinadores, que poderão enviar presentes para seus escolhidos durante os Jogos. O mundo está numa decadência tão grande que ver jovens se digladiando numa arena até a morte é um entretenimento.

Em meio à luta para sobreviver na arena, surge um envolvimento amoroso entre os protagonistas. E aí temos outra crítica, pois é impossível saber se o casal está junto por amor ou para se manter vivo, já que a formação de um casal geralmente beneficia os jogadores (não é Big Brother Brasil?).

Katniss e Peeta. Unidos pelo amor ou pela sobrevivência na arena?

Katniss e Peeta. Unidos pelo amor ou pela necessidade de sobreviver na arena?

Com uma adaptação bastante fiel ao livro, resultado obtido não apenas pela presença de Collins no time de roteiristas do longa, mas também por sua participação em quase todas as etapas de produção, o filme peca apenas por seu inexperiente diretor.

A câmera trêmula o tempo inteiro incomoda, principalmente a quem já leu os livros, e que vê no filme uma oportunidade de contemplar aqueles personagens. É louvável a tentativa de sutileza por parte da direção, como o corte no som quando a protagonista perde a audição após explodir os suprimentos na arena. É melhor ver essas sacadas de edição do que colocar uma fala na boca da personagem dizendo que está surda. Mas em muitos momentos isso é feito de uma maneira sutil demais, não dando ao espectador que não leu os livros a noção do que está acontecendo na tela. Sem contar na pobreza da produção em alguns momentos como, por exemplo, quando o casal aparece em chamas no desfile de apresentação a Panem.

Também faltou sujeira e sangue no filme. As lutas têm cortes muito rápidos e não é possível ver a violência que está nos livros, assim como também são sublimadas as dezenas de graves ferimentos de todos os jogadores, principalmente dos protagonistas. Também falou explorar mais o romance de Peeta e Katniss. Mas isso deve ser relevado, pois o filme busca fisgar um público muito jovem e precisa de classificação livre para isso.

Além de uma excelente história, Jogos Vorazes conta com um ótimo elenco

Além de uma excelente história, Jogos Vorazes conta com um ótimo elenco

Apesar desses defeitos e de não apresentar muito bem o panorama atual de Panem e como o mundo chegou ao ponto onde está, a produção do filme ganha pontos com os fãs-leitores ao retratar a capital. Os cortes de cabelo, as barbas, figurinos, tatuagens e demais extravagâncias dos frívolos habitantes são primorosamente mostrados na tela.

Talvez uma das grandes sacadas da história seja unir o velho e novo. Enquanto o governo leva apenas alguns segundos no computador para criar bestas gigantes para aterrorizar os tributos na arena e os nativos da capital precisam apenas de um controle remoto para conseguir um farto jantar, Katniss vive numa casa rudimentar e precisa passar horas na floresta aguardando um animal aparecer para ser abatido por seu velho arco e flecha, para assim poder alimentar a mãe a irmã.

Peeta, Katniss e Gale formam o triângulo amoroso do sci-fi jovem

Peeta, Katniss e Gale formam o triângulo amoroso do sci-fi jovem

Apesar de algumas falhas de produção e de uma direção insegura, o filme é ótimo. E isso se deve a seu roteiro inteligente. Suzanne Collins conhece o público que quer atingir e chega até os jovens adultos da melhor maneira possível: sem insultar sua inteligência. Toda a história tem embasamento e diversas referências, pois é impossível assistir “Jogos Vorazes” e não se lembrar de “1984”, “Admirável Mundo Novo”, ou de governos totalitaristas que sufocam seu povo, de reality shows que ganham mais espaço nas TV’s e, para os mais atentos, é impossível não trazer “Shakespeare” à mente.

“Jogos Vorazes” é um produto voltado para o público jovem, mas que oferece um pouco mais que entretenimento. Se as crianças e adolescentes conseguirem enxergar além dos lindos olhos de Jennifer Lawrence e do charme de Josh Hutcherson, é possível enxergar todo o pano de fundo social da trama. E quem sabe a partir daí eles não busquem conhecer os livros citados aí em cima… Torço para isso.

Por Débora Anício