Tag Archives: Cannes

Dica de cinema: A Caça (2012)

25 jun

Menina o acusa de assédio

Crianças não mentem, certo? Errado. E é em torno dessa mentira estabelecida como verdade absoluta pela sociedade que começa “A Caça”, filme dinamarquês dirigido por Thomas Vinterberg lançado em 2012.

O drama gira em torno de Lucas (Mads Mikkelsen), um homem pacato que vive numa cidade do interior. Lucas trabalha em uma creche e está tentando se reestabelecer após se separar e perder a guarda do filho adolescente para a ex. Mas tudo muda em sua vida quando uma das alunas da creche diz à professora que Lucas mostrou a ela suas partes íntimas.

Apesar de ser a vilã da história, é muito difícil sentir ódio da garota

Apesar de ser a vilã da história, é muito difícil sentir ódio da garota

A garota de cinco anos, Klara (Annika Wedderkopp), é filha do melhor amigo do protagonista e está sempre em contato com ele. A garota acaba confundindo seus sentimentos e as informações que recebe todos os dias e inventa a história. Em alguns momentos tentei sentir ódio da menina, mas ela é tão angelical e tão vítima da situação que é complicado não se compadecer da garota.

A falsa acusação de assédio sexual ganha proporções enormes e prejudica a vida do protagonista. A comunidade que antes o respeitava passa a hostilizar Lucas e, seu melhor amigo e pai de Klara, fica dividido na confiança que tem em Lucas e na fé em sua pobre e inocente filha.

O filme é belíssimo, tem boas atuações e uma fotografia incrível. A garota é muito talentosa e passa muito bem os devaneios e dúvidas de Klara. Mas o foco da atenção deve ir para a caça, ou seja, o protagonista, personagem que rendeu a  Mads Mikkelsen o prêmio de melhor ator no Festival de Cannes de 2012.

Lucas vê sua vida se transformar num inferno após ser acusado de assediar uma garota de cinco anos

Lucas vê sua vida se transformar num inferno após ser acusado de assediar uma garota de cinco anos

O personagem é tão honesto, verdadeiro e honrado que em nenhum momento ele se ajoelha para ninguém jurando que não abusou da menina. Ele tem tamanha convicção do que é, que acha uma violência o simples fato de ser acusado de abusar de uma criança. Ele sempre demonstrou o que era em suas ações e acredita que todos ao seu redor deveriam saber que ele é um homem digno. Mas não é bem isso que acontece.

O filme dinamarquês nos mostra um homem sem pecados entrando num inferno. Um homem que não tem condições de confrontar seu algoz. Um homem que não consegue sentir raiva da garota, mas apenas tristeza por ver que a vida dela também saiu de foco com sua pequena mentirinha. Pois mesmo que Klara tente desmentir a história, nada está claro em sua mente infantil e imaginativa. E os pais acreditam que a tentativa da menina de livrar Lucas é apenas medo de medo de retaliações.

“A Caça” vale muito a pena. É um filme contemplativo sem ser chato. E dramático sem ser água com açúcar.

Confira o trailer

https://www.youtube.com/watch?v=gwxYwb7NbDI

Por Débora Anício

Anúncios

Produção brasileira vence “Cannes da animação”

16 jun

Historia-Amor-e-Furia

Primeira animação brasileira a ser selecionada para o Festival de Annecy, conhecido como o “Cannes da animação”, o filme brasileiro “Uma história de amor e fúria”, de Luiz Bolognesi, conquistou o principal prêmio do evento em cerimônia realizada ontem na cidade francesa. A produção custou 3 milhões de dólares, segundo a revista Variety, e levou seis anos para ser finalizada.

O filme é a primeira experiência de Bolognesi como diretor. Ele foi roteirista dos filmes “Bicho de Sete Cabeças” (2001), “Chega de Saudade” (2008) e “As Melhores Coisas do Mundo” (2010). A trama de “Uma história de amor e fúria” gira em torno da experiência de um guerreiro indígena que, ao morrer, assume a forma de um pássaro e vive 600 anos de história do Brasil: da colonização, passando pela ditadura militar, até o ano de 2096, quando acontece a guerra pela água. Camila Pitanga, Selton Mello e Rodrigo Santoro são algumas das vozes que deram vida aos personagens da animação voltada para o público adulto.

Premiados
Considerado um dos principais eventos do gênero de animação, o Festival de Annecy também premiou o filme espanhol “O apóstolo” como a melhor produção segundo o público. Além dele, “Room on the Broom” venceu como melhor produção, o canadense “Subconscious Password” foi eleito o melhor curta e “Dumb Ways to Die”, produzido pela McCann em Melbourne, na Austrália, arrematou o prêmio de melhor animação comissionada. Ao todo, 236 produções participaram da competição.

Fonte: Exame.com

Confira o trailer da animação