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Apesar de algumas ressalvas, Arrested Development voltou genial como sempre

20 jul

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A desejada volta da cultuada série “Arrested Development” só foi possível graças ao Netflix, site de streaming que acreditou que valeria a pena resgatar a série, cancela pela Fox em 2006 após três temporadas de exibição. O retorno tão desejado foi bom não apenas para os fãs, mas também para o Netflix, que foi surpreendido com a ótima audiência e já pensa em produzir uma quinta temporada. Outro bom fruto foi a indicação de Jason Bateman (Michael Bluth) ao Emmy de melhor ator em série cômica. Feito inédito do Emmy, indicar produções em exibição apenas na internet.

Centrada numa família falida e disfuncional (com personagens quase não humanos – de tantos absurdos que cometem a cada episódio), Arrested Development sempre foi pontuada pelo único filho certinho (Michael) que tentava manter seus familiares unidos apesar da pobreza iminente e dos diversos problemas com a justiça. E é claro que esse objetivo não foi concretizado, já que era difícil manter juntos uma mãe controladora e alcoólatra, um pai infiel e corrupto, uma irmã sem nada na cabeça e que ignora totalmente a filha, uma sobrinha que tenta se dar bem a todo custo, um irmão desmiolado e outro que parece ter oito anos de idade e vive na barra da saia da mãe, um cunhado que não trabalha e outros personagens absurdamente irritantes para Michael e incrivelmente amados pelo público.

Os produtores optaram por uma nova dinâmica na quarta temporada, pautando cada episódio em um personagem. A nova temporada mostra o que aconteceu aos  membros da família Bluth depois do abrupto cancelamento da série (a narração especial para a abertura personalizada para cada personagem é impagável). Acredito que essa decisão não seja apenas criativa, mas também prática, já que foi muito difícil reunir o elenco para produzir a nova temporada, feito que só foi possível porque os atores têm um carinho especial por Arrested Development e abriram mão de seu curto tempo livre para gravar a série. Diante dessa situação provavelmente seria muito complicado reunir todo o elenco em um episódio, fato que só acontece em pouquíssimas cenas dessa nova temporada.

O ótimo Buster não ganhou muito destaque na quarta temporada

O ótimo Buster não ganhou muito destaque na quarta temporada

Em vários momentos dos 15 novos episódios eu gargalhei e fiquei super feliz com a volta da série, que permanece genial. Mas confesso que a nova dinâmica atrapalhou um pouco. Não entendo porque optaram por fazer dois episódios de Michael, Gerge Senior, George Michael e Lindsay, personagens menos carismáticos e, para mim, os mais sem graça. Não gostei de Lucille e Buster terem apenas um episódio cada para contar suas histórias. É claro que um personagem acaba entrando no episódio do outro, mas quem menos teve espaço na quarta temporada foi Buster, um dos meus personagens favoritos ever.

Destaques

Com essa disposição de episódios e opção por focar mais determinados membros da família Bluth, quem roubou a cena foi Tobias e, principalmente, Gob, que neste ano descobrimos que se chama George Oscar Bluth. Confesso que isso foi um alívio pra mim, porque sempre achei Gob um nome esquisito demais.

As histórias de Gob continuam surreais e ele continua a ter atitudes idiotas em relação a tudo. Destaque absoluto por seu vício no remedinho do Boa Noite Cinderela e das impagáveis cenas à lá “A Primeira Noite de Um Homem”, quando ele pensa em silêncio absoluto enquanto a câmera dá um close em seu rosto e toca a música “The Sounds of Silence”. E o que falar de seu envolvimento com seu arquirrival interpretado por Ben Stiller? E seu casametno com Ann (HER????)?

Gob voltou ainda mais divertido e insano

Gob voltou ainda mais divertido e insano

Também foi ótimo ver a série fazer piadas com o nome de George Michael, que depois de entrar para a faculdade descobriu que odeia seu nome e quer trocá-lo. E um dos motivos, claro, é o escândalo sexual protagonizado por seu xará cantor. Sempre que ouvia o nome George Michael nas primeiras temporadas dava um sorriso involuntário por fazer a ligação direta às escapadinhas do cantor britânico, e agora a série resolveu brincar com isso.

Destaque também para Lucille, que teve de cumprir pena em um hotel de luxo. Como não amar a personagem que controla a vida de todos e faz tudo de errado e ainda assim tem como prisão um luxuoso prédio? Ela toma champagne, joga cartas com as colegas, joga tênis e se veste bem, mas tudo isso com seu número de série preso ao peito, a única coisa que diz que ela é uma detenta.

Também foi ótimo ver a origem do louco advogado da família. Ele era apenas o filho do advogado do casal Bluth, e que dava as respostas mais erradas aos clientes, fazendo com que eles burlassem a lei sem pagar por isso. (TAKE TO THE SEA!!!!)

Tobias teve mais espaço, e Lindsay está com o rosto irreconhecível

Tobias teve mais espaço, e Lindsay está com o rosto irreconhecível

Outro destaque, mas dessa vez negativo é: O que fizeram com a Lindsay, ou melhor, o que fizeram com a Portia de Rossi? Confesso que achei que não me lembrava dela ou que tinham trocado de atriz, tamanha a diferença no rosto da mulher. Tive que parar o episódio e rever uma cena da primeira temporada para ter certeza de que ela estava mudada e que não era minha mente que estava me enganando. E mais, tive que ir ao google checar se não houve uma troca de atrizes. Mas não, não houve. A FEIÇÃO da mulher está completamente diferente por causa de plásticas mesmo. Uma pena, porque ela deu uma enfeiada boa. Não que esteja horrível, mas está irreconhecível. Essas estrelas de Hollywood não sabem e não querem envelhecer…

Essa é Lucille Bluth sofrendo em sua prisão de luxo

Essa é Lucille Bluth sofrendo em sua prisão de luxo

Genialidade

O ótimo elenco comanda um texto ágil e inteligente, muito inteligente, porque às vezes é difícil pegar a nuance das piadas, que muitas vezes se perdem pela tradução. E nessa temporada foi particularmente mais complicado acompanhar as tramas, já que muitas delas se passavam ao mesmo tempo. Em um dos primeiros episódios vemos Lindsay viajar para a Índia e sempre ser incomodada por outro passageiro do avião, e só alguns episódios depois é que vemos que esse passageiro era Tobias, seu ex-marido. Essa montagens devem ter sido bem complicadas de se fazer e acontecem o tempo inteiro. Várias cenas são mostradas ao espectador pelo ponto de vista de vários personagens, o que deixou tudo ainda mais incrível e divertido.

Apesar dos altos e baixos, Arrested Development continua genial e superior a muitas séries de humor por aí. A escolha da narração em off de Ron Howard (que participa, live action, da quarta temporada), a falta de claques e o ritmo rápido da série fizeram e sempre vão fazer toda a diferença. A quarta temporada não foi a mais divertida, mas deu pra matar a saudade dessa wealthy family who lost everything, and one son who had no choice but to keep them all together… It’s ARRESTED DEVELOPMENT!

Por Débora Anício

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